A realidade do sertão hoje preocupa: passivo ambiental, poeira, minas abandonadas, risco de desmoronamento e, ao mesmo tempo, pobreza ao lado da riqueza. Uma contradição que, segundo o presidente da Cooperativa Mineral Potiguar, não pode continuar.
Diante disso, a cooperativa propõe um novo caminho: uma mineração sustentável, verde e de pequena escala, baseada na união de três forças que hoje atuam separadas - o dono da terra, a cooperativa e as associações comunitárias. A ideia é transformar o problema em solução, com todos trabalhando juntos.
O primeiro passo é o planejamento responsável. Mapear as áreas: onde é preservação permanente, não se toca. Onde há agricultura familiar, ela deve ser fortalecida. Nas áreas de mineração, o trabalho precisa ser técnico e com recuperação ambiental. E nas áreas degradadas, a proposta é reflorestar com mudas nativas.
Os dados já alertam: mais de 60% da vegetação foi desmatada. Se esse cenário continuar, não haverá água, nem minério, nem produção agrícola.
Outra proposta é aproveitar melhor os recursos naturais. O material que desce pelas enxurradas nos riachos contém minerais importantes, como columbita, tantalita, scheelita, cassiterita e até ouro. Em vez de causar assoreamento, esse material pode ser utilizado com responsabilidade.
E a água? A solução está nas barraginhas, que armazenam a água da chuva para uso na irrigação por gravidade e gotejamento, fortalecendo tanto o reflorestamento quanto a agricultura familiar.
Mesmo com soluções claras, fica o questionamento: por que essa alternativa ainda não recebe o apoio necessário?
O presidente defende que falta vontade política. A riqueza existe, mas precisa gerar dignidade para quem vive no território. O pedido é por políticas públicas, crédito, licenças justas e assistência técnica.
O Brasil é rico, o povo é trabalhador. O que falta é transformar potencial em ação.